FUNDAMENTOS DA HIGIENE E SEGURANÇA
A higiene e a segurança são duas actividades que estão intimamente relacionadas com o objectivo de garantir condições de trabalho capazes de manter um nível de saúde dos colaboradores e trabalhadores de uma Empresa.
Segundo a O.M.S., a verificação de condições de Higiene e Segurança consiste "num estado de bem-estar físico, mental e social e não somente a ausência de doença e enfermidade".
Segurança do trabalho
•A segurança do trabalho combate, de um ponto de vista não médico, os acidentes de trabalho, quer eliminando as condições inseguras do ambiente, quer educando os trabalhadores a utilizarem medidas preventivas.
Higiene do trabalho
•A higiene do trabalho combate, de um ponto de vista não médico, as doenças profissionais, identificando os factores que podem afectar o ambiente do trabalho e o trabalhador, visando eliminar ou reduzir os riscos profissionais (condições inseguras de trabalho que podem afectar a saúde, segurança e bem estar do trabalhador).
Definição:
Segurança; Estudo, avaliação e controlo dos riscos de operação
Higiene; Identificar e controlar as condições de trabalho que possam prejudicar a saúde do trabalhador
Doença Profissional; Doença em que o trabalho é determinante para o seu aparecimento.
ACIDENTES DE TRABALHO
O que é ACIDENTE?
“Acontecimento imprevisto, casual, que resulta em ferimento, dano, estrago, prejuízo, avaria, ruína, etc.”
Os acidentes, em geral, são o resultado de uma combinação de factores, entre os quais se destacam:
– Falhas humanas
– Falhas materiais
Vale a pena lembrar que os acidentes não escolhem hora nem lugar, podem acontecer em casa, no ambiente de trabalho e nas inúmeras locomoções diárias.
Quanto aos acidentes do trabalho:
O que se pode dizer é que grande parte deles ocorre porque os trabalhadores se encontram mal preparados para enfrentar certos riscos.
A lei diz:
Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte, a perda ou redução da capacidade para o trabalho, permanente ou
temporária...
Lesão corporal é qualquer dano produzido no corpo humano, seja ele leve, como, por exemplo, um corte no dedo, ou grave, como a perda de um membro.
Perturbação funcional é o prejuízo do funcionamento de qualquer órgão ou sentido. Por exemplo, a perda da visão, provocada por uma pancada na cabeça, caracteriza uma perturbação funcional.
Doença profissional também é acidente do trabalho?
Doenças profissionais são aquelas que são adquiridas na sequência do exercício do trabalho em si.
Doenças do trabalho são aquelas decorrentes das condições especiais em que o trabalho é realizado.
Ambas são consideradas como acidentes do trabalho, quando delas decorrer a incapacidade para o trabalho.
Um funcionário pode apanhar uma gripe, por contágio com colegas de trabalho. Essa doença, embora possa ter sido adquirida no ambiente de trabalho, não é considerada doença profissional nem do trabalho, porque não é ocasionada pelos meios de produção.
Contudo, se o trabalhador contrair uma doença ou lesão por contaminação acidental, no exercício de sua actividade, temos aí um caso equiparado a um acidente de trabalho. Por exemplo, se operador de um banho de decapagem se queima com ácido ao encher a tina do banho ácido isso é um acidente do trabalho.
Noutro caso, se um trabalhador perder a audição por ficar longo tempo sem protecção auditiva adequada, submetido ao excesso de ruído, gerado pelo trabalho executado junto a uma grande prensa, isso caracteriza igualmente uma doença de trabalho.
Um acidente de trabalho pode levar o trabalhador a se ausentar da empresa apenas por algumas horas, o que é chamado de acidente sem afastamento. É que ocorre, por exemplo, quando o acidente resulta num pequeno corte no dedo, e o trabalhador retorna ao trabalho em seguida.
Outras vezes, um acidente pode deixar o trabalhador impedido de realizar suas actividades por dias seguidos, ou meses, ou de forma definitiva. Se o trabalhador acidentado não retornar ao trabalho imediatamente ou até no dia seguinte, temos o chamado acidente com afastamento, que pode resultar na incapacidade temporária, ou na incapacidade parcial e permanente, ou, ainda, na incapacidade total e permanente para o trabalho.
A incapacidade temporária é a perda da capacidade para o trabalho por um período limitado de tempo, após o qual o trabalhador retorna às suas actividades normais.
A incapacidade parcial e permanente é a diminuição, por toda vida, da capacidade física total para o trabalho. É o que acontece, por exemplo, quando ocorre a perda de um dedo ou de uma vista incapacidade total e permanente é a invalidez incurável para o trabalho.
Neste ultimo caso, o trabalhador não reúne condições para trabalhar o que acontece, por exemplo, se um trabalhador perde as duas vistas num acidente do trabalho. Nos casos extremos, o acidente resulta na morte do trabalhador.
FACTORES QUE AFECTAM A HIGIENE E SEGURANÇA
É possível identificar um conjunto de factores relacionados com a negligência ou desatenção por regras elementares e que potenciam a possibilidade de acidentes ou problemas.
Acidentes devido a CONDIÇÕES PERIGOSAS;
- Máquinas e ferramentas
- Condições de organização (Layout mal feito, armazenamento perigoso, falta de Equipamento de Protecção Individual - E.P.I.)
- Condições de ambiente físico, (iluminação, calor, frio, poeiras, ruído)
Acidentes devido a ACÇÕES PERIGOSAS;
- Falta de cumprimento de ordens (não usar E.P.I.)
- Ligado à natureza do trabalho (erros na armazenagem)
- Nos métodos de trabalho (trabalhar a ritmo anormal, manobrar empilhadores à Fangio, distracções, brincadeiras)
Objectivos da Higiene do Trabalho
A higiene do trabalho tem carácter eminentemente preventivo, pois objectiva a saúde e o conforto do trabalhador, evitando que adoeça e se ausente provisória ou definitivamente do trabalho.
Os principais objectivos são:
– Eliminação das causas das doenças profissionais;
– Redução dos efeitos prejudiciais provocados pelo trabalho em pessoas doentes ou portadoras de defeitos físicos;
– Prevenção de agravamento de doenças e de lesões;
– Manutenção da saúde dos trabalhadores;
– Aumento da produtividade por meio de controlo do ambiente de trabalho.
O que envolve a higiene no trabalho?
O programa de higiene no trabalho envolve:
– Ambiente físico de trabalho; a iluminação, ventilação, temperatura e ruídos
– Ambiente psicológico; os relacionamentos humanos agradáveis, tipos de actividade agradável e motivadora, estilo de gerência democrático e participativo e eliminação de possíveis fontes de stress
– Aplicação de princípios de ergonomia; máquinas e equipamentos adequados às características humanas, mesas e instalações ajustadas ao tamanho das pessoas e ferramentas que reduzam a necessidade de esforço físico humano
– Saúde ocupacional; ausência de doenças por meio da assistência médica preventiva.
Tipos de agentes
• Químicos (Poeiras / fumos / neblinas / aerossóis / gases / vapores)
• Físicos (Ruído / vibrações / ambiente térmico / radiações / pressão)
• Biológicos (Vírus / bactérias / fungos / alimentos / contactos com fluidos corporais)
• Ergonómicos (Factores fisiológicos e psicológicos)
• Interacção homem / trabalho, incluindo: Design, controle, luz, plano do local, ferramentas, organização, e etc.
• Adaptação do trabalho à pessoa
As empresas são obrigadas a investir em higiene e segurança no trabalho?
Nas Normas Regulamentadoras (NRs), a segurança, a higiene e a medicina do trabalho são de observância obrigatória pelas empresas privadas e públicas.
Por que se deve investir em higiene do trabalho?
Algumas pessoas menos esclarecidas sobre o assunto, procuram em determinadas circunstâncias, justificar de várias maneiras a ausência da segurança em algumas indústrias, ou o pouco interesse de outras para a prevenção de acidentes.
No entanto, nada justifica tal omissão. Entre pessoas, algumas costumam afirmar: “Sem acidentes ou com acidentes o trabalho é realizado”.
Não importa quem diz isso ou pensa dessa maneira. Trata-se de uma afirmação ou de um pensamento infeliz, embora não possa ser integralmente contestado.
Por que se deve investir em higiene do trabalho?
Realmente, o trabalho poderá ser executado mesmo que ocorram acidentes. Porém, nesses casos, jamais a sua realização poderá ser considerada satisfatória.
A dor e a infelicidade de quem sofre ferimentos somam-se a muitos outros factores danosos ao trabalho, tanto sob o aspecto técnico como económico. Isso nem sempre é percebido por quem não entende e não interpreta os acidentes do trabalho em toda a sua extensão e profundidade.
Ramos da higiene do trabalho:
– Higiene teórica
– Higiene analítica
– Higiene operativa
– Higiene de campo
Cada ramo tem os seus objectivos.
Higiene Teórica
Estudo dos contaminantes e dos efeitos sobre o homem
– Relação dose / resposta;
– Valores limite de exposição;
Qual a exposição sem efeito negativo?
– Estudos dos dados experimentais;
• Determinação de valores de referência.
• Tem por base a experiência industrial e a experimentação humana e animal.
Higiene Analítica
• Determinação qualitativa e quantitativa dos contaminantes no local de trabalho
– Habitualmente há mais que um contaminante.
– Podem ser de vários tipos (químicos, biológicos e físicos).
– Necessidade de implementação de métodos padronizados (laboratórios acreditados).
– Os métodos devem dar resultados que reflictam a exposição do trabalhador:
• Dificuldade da determinação do nível de toxicidade
• Dificuldade de medir a exposição pontual
Higiene Operativa
• Métodos de controlo e redução dos níveis de concentração e eliminação do risco
– Objectivo: manter os riscos abaixo do limiar em que se tornam prejudiciais para a saúde humana
• Boa prática de higiene
– Substituição de matérias primas e processos
– Isolamento do risco químico, biológico e físico
– Captação do contaminante (aspiração)
– Ventilação geral
– Confinamento do contaminante (ou do trabalhador)
– Diminuição dos tempos de exposição
– Protecção individual
• Complementar com exames médicos regulares
– Selecção de pessoas com deficiências
Higiene de Campo
• Estudo da situação da higiene no local de trabalho
– Análise do local de trabalho
– Detecção de contaminantes
– Necessidade de reconhecer os perigos e conhecer metodologias de medição do risco
• Ponte entre os quatro ramos da higiene
Funções da Higiene Industrial
• Antecipar, identificar e avaliar as condições e as práticas de trabalho de risco.
• Desenvolver metodologias, procedimentos e programas de controlo.
• Implementar, administrar e informar sobre riscos e programas de controlo.
• Medir, auditar e avaliar a eficácia das medidas tomadas nos programas de controlo
Riscos ambientais
São considerados riscos ou agentes agressivos químicos, físicos, biológicos, ergonómicos de acidentes, os que possam trazer ou ocasionar danos à saúde do trabalhador, nos AMBIENTES DE TRABALHO, em função da sua natureza, concentração, intensidade e tempo de exposição ao agente.
Riscos Físicos
• Ruídos;
• Vibrações;
• Radiações;
• Frio;
• Calor;
• Pressões anormais;
• Humidade.
Riscos Biológicos
• Vírus;
• Bactérias;
• Protozoários;
• Fungos;
• Parasitas;
• Bacilos.
Riscos de acidente
• Arranjo físico inadequado
• Máquinas e equipamentos sem protecção
• Ferramentas inadequadas e defeituosas
• Iluminação inadequada
• Electricidade
• Probabilidade de incêndio ou explosão
• Armazenamento inadequado
• Animais peçonhentos
• Outras situações de risco que poderão contribuir para a ocorrência de acidentes
Inviabilidade técnica de medidas de protecção colectiva
• Quando comprovado pelo empregador ou instituição deverão ser adoptadas outras medidas, obedecendo-se à seguinte hierarquia:
– Medidas de carácter administrativo ou de organização do trabalho;
– Utilização de equipamento de protecção individual - EPI.
• A utilização de EPI no âmbito do programa deverá considerar as Normas
Legais e Administrativas em vigor e envolver no mínimo:
– Selecção do EPI adequado tecnicamente ao risco a que o trabalhador está exposto e à actividade exercida, considerando-se a eficiência necessária para o controle da exposição ao risco e o conforto oferecido segundo avaliação do trabalhador usuário;
– Programa de treino dos trabalhadores quanto à sua correcta utilização e
Orientação sobre as limitações de protecção que o EPI oferece;
– Estabelecimento de normas ou procedimento para promover o fornecimento, o uso, a guarda, a higienização, a conservação, a manutenção e a reposição do EPI, visando garantir as condições de protecção originalmente estabelecidas;
– Caracterização das funções ou actividades dos trabalhadores, com a respectiva identificação dos EPI’s utilizados para os riscos ambientais.
Divisão dos resíduos industriais
– Classe I
• Resíduos perigosos
– Pode apresentar riscos à saúde pública e ao meio ambiente por causa de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade.
– Classe II
• Resíduos não-inertes
– Resíduos potencialmente biodegradáveis ou combustíveis.
– Classe III
• Resíduos inertes
– Resíduos inertes e não combustíveis.
Categorias de compostos tóxicos
Asfixiantes: compostos que diminuem a absorção de oxigénio pelo organismo. (nitrogénio, monóxido de carbono, cianetos);
Irritantes: materiais que causam inflamação nas membranas mucosas (ácido sulfúrico, sulfeto de hidrogénio, HCs aromáticos);
Carcinogênicos: provocam câncer (benzeno, aromáticos policíclicos);
Neurotóxicos: danos ao sistema nervoso (compostos
organometálicos);
Mutagênicos: causam mutações genéticas;
Teratogênicos: provocam malformações congénitas;
Hepatotóxicos: danos ao fígado (tetracloreto de carbono);
Fitotóxicos: danos a flora.
Absorção pela pele e mucosas
• Gases; os gases e vapores liberados pelos produtos podem causar lesões à pele e mucosas da boca, nos olhos e no nariz.
• Sólidos; alguns produtos químicos apresentam maior facilidade de penetração no organismo pela pele.
• Líquidos; os líquidos, como os ácidos, álcalis e solventes, ao atingirem a pele, podem ser absorvidos ou provocarem graves lesões.
Absorção pela via respiratória
• Gases; os fumos, fumaças, gases, vapores e névoas penetram facilmente no organismo, atingindo os pulmões, passando para a corrente sanguínea.
• Sólidos; são os mais comuns, sendo que partículas muito finas podem vencer as barreiras naturais das vias respiratórias atingindo os pulmões.
• Líquidos; através da evaporação de líquidos, os vapores atingem as vias respiratórias.
Absorção pelo trato digestivo
• Gases; embora em menor proporção, a contaminação por esta via é possível. O hábito de respirar pela boca facilita a penetração.
• Sólidos; embora em menor proporção, a contaminação por esta via é possível. Hábitos inadequados como alimentar-se ou ingerir líquidos no local de trabalho, humedecer os lábios com a língua, fumar, usar as mãos para beber água e falta de higiene contribuem para a ingestão de substâncias nocivas.
• Líquidos; embora seja mais difícil de ocorrer, há casos de ingestão acidental ou proposital. Conforme o tipo de produto ingerido, podem ocorrer lesões. Se não forem ministrados socorros de urgência, o envenenamento pode ser fatal.
Excreção
• Podem ocorrer:
– Fezes
– Urina
– Suor
Principais efeitos deletérios
1. Alterações cardiovasculares e respiratórias;
2. Alterações do sistema nervoso;
3. Lesões orgânicas:
4. Lesões carcinogênicas / tumorigênicas;
5. Lesões teratogênicas (malformações do feto);
6. Alterações genéticas:
aneuploidização - ganho ou perda de um cromossomo inteiro.
clastogênese - aberrações cromossômicas com adições, falhas, re-arranjos de partes de cromossomos.
mutagênese - alterações hereditárias produzidas na informação genética
armazenada no DNA (ex. radiações ionizantes).
7. Infertilidade - masculina, feminina ou mista.
teratogênese - provocada por agentes infecciosos ou drogas.
aborto - precoce ou tardio
8. Alterações da capacidade reprodutora
9- Alguns exemplos:
Vitamina A - Atraso mental; cérebro e coração.
Talidomida - Coração e membros.
Fenobarbital - Palato; coração; atraso mental.
Álcool- Defeitos faciais; atraso mental.
Cloranfenicol - Aplasia medular
Produtos químicos e seus riscos
- Inflamável
- Tóxico
- Corrosivo
- Oxidante
- Nocivo ou irritante
- Explosivo
SEGURANÇA DO POSTO DE TRABALHO
SIGNIFICADO E IMPORTÂNCIA DA PREVENÇÃO
A Prevenção é certamente o melhor processo de reduzir ou eliminar as possibilidades de ocorrerem problemas de segurança com o Trabalhador.
A prevenção consiste na adopção de um conjunto de medidas de protecção, na previsão de que a segurança física do operador possa ser colocada em risco durante a realização do seu trabalho. Nestes termos, pode-se acrescentar que as medidas a tomar no domínio da higiene industrial não diferem das usadas na prevenção dos acidentes de trabalho.
Como princípios de prevenção na área da Higiene e Segurança industrial, poderemos apresentar os seguintes:
1. Tal como se verifica no domínio da segurança, a prevenção mais eficaz em matéria de higiene industrial exerce-se, também, no momento da concepção do edifício, das instalações e dos processos de trabalho, pois todo o melhoramento ou alteração posterior já não terá a eficácia desejada para proteger a saúde dos trabalhadores e será certamente muito mais dispendiosa.
2. As operações perigosas (as que originam a poluição do meio ambiente ou causam ruído ou vibrações) e as substâncias nocivas, susceptíveis de contaminar a atmosfera do local de trabalho, devem ser substituídas por operações e substâncias inofensivas ou menos nocivas.
3. Quando se torna impossível instalar um equipamento de segurança colectivo, é necessário recorrer a medidas complementares de organização do trabalho, que, em certos casos, podem comportar a redução dos tempos de exposição ao risco.
4. Quando as medidas técnicas colectivas e as medidas administrativas não são suficientes para reduzir a exposição a um nível aceitável, deverá fornecer-se aos trabalhadores um equipamento de protecção individual (EPI) apropriado.
5. Salvo casos excepcionais ou específicos de trabalho, não deve considerar-se o equipamento de protecção individual como o método de segurança fundamental, não só por razões fisiológicas mas também por princípio, porque o trabalhador pode, por diversas razões, deixar de utilizar o seu equipamento.
Um qualquer posto de trabalho representa o ponto onde se juntam os diversos meios de produção (Homem, Máquina, Energia, Matéria-prima, etc) que irão dar origem a uma operação de transformação, daí resultando um produto ou um serviço.
Para a devida avaliação das condições de segurança de um Posto de Trabalho é necessário considerar um conjunto de factores de produção e ambientais em que se insere esse mesmo posto de trabalho.
Para que a actividade de um operador decorra com o mínimo de risco, têm que se criar diferentes condições passivas ou activas de prevenção da sua segurança.
Os principais aspectos a levar em contas num diagnóstico das condições de segurança (ou de risco) de um Posto de Trabalho, podem ser avaliados pelas seguintes questões:
1. O LOCAL DE TRABALHO;
- Tem acesso fácil e rápido?
- É bem iluminado?
- O piso é aderente e sem irregularidades?
- É suficientemente afastado dos outros postos de Trabalho?
- As escadas têm corrimão ou protecção lateral?
2. MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS;
- As cargas a movimentar são grandes ou pesadas?
- Existem e estão disponíveis equipamentos de transporte auxiliar?
- A cadência de transporte é elevada?
- Existem passagens e corredores com largura compatível?
- Existem marcações no solo delimitando zonas de movimentação?
- Existe carga exclusivamente Manual?
3. POSIÇÕES DE TRABALHO;
- O Operador trabalha de pé muito tempo?
- O Operador gira ou baixa-se frequentemente?
- O operador tem que e afastar para dar passagem a máquinas ou outros operadores?
- A altura e a posição da máquina é adequada?
- A distância entre a vista e o trabalho é correcta?
4. CONDIÇÕES PSICOLÓGICAS DO TRABALHO;
- O trabalho é em turnos ou normal?
- O Operador realiza muitas Horas extras?
- A Tarefa é de alta cadência de produção?
- É exigida muita concentração dados os riscos da operação?
5. MAQUINA;
- As engrenagens e partes móveis estão protegidas?
- Estão devidamente identificados os dispositivos de segurança?
- A formação do Operador é suficiente?
- A operação é rotineira e repetitiva?
6. RUÍDOS E VIBRAÇÕES;
- No PT sentem-se vibrações ou ruído intenso?
- A máquina a operar oferece trepidação?
- Existem dispositivos que minimizem vibrações e ruído?
7. ILUMINAÇÃO;
- A iluminação é natural?
- Está bem orientada relativamente a PT?
- Existe alguma iluminação intermitente as imediações do PT?
8. RISCOS QUÍMICOS;
- O ar circundante tem Poeiras ou fumos?
- Existe algum cheiro persistente?
- Existem ventilação ou exaustão de ar do local?
- Os produtos químicos estão bem embalados?
- Os produtos químicos estão bem identificados?
- Existem resíduos de produtos no chão ou no PT?
9. RISCOS BIOLÓGICOS;
- Há contacto directo com animais?
- À contacto com sangue ou resíduos animais?
- Existem meios de desinfecção no PT?
10.PESSOAL DE SOCORRO
- EXISTE alguém com formação em primeiros socorros?
- Os números de alerta estão visíveis e actualizados?
- Existem caixas de primeiros socorros e Macas?
Segurança de Máquinas
Muitos processos produtivos dependem da utilização de máquinas, pelo que é importante a existência e o cumprimento dos requisitos de segurança em máquinas industriais ou a sua implementação no terreno de modo a garantir a maior segurança aos operadores.
Defenição de Máquina : Todo o equipamento, (inclusive acessórios e equipamentos de
segurança), com movimento, (engrenagens), e com fonte de energia que
não a humana
Os Requisitos de segurança de uma máquina podem ser identificados, nomeadamente o que diz respeito ao seu accionamento a partir de Comandos:
- Devem estar visíveis e acessíveis a partir do posto de trabalho normal
- Devem estar devidamente identificados em português ou então por símbolos
- O COMANDO DE ARRANQUE: a máquina só entra em funcionamento quando se acciona este comando, não devendo arrancar sozinho quando volta a corrente
-O COMANDO DE PARAGEM: deve sempre sobrepor-se ao comando de arranque
-STOP DE EMERGÊNCIA: corta a energia, pode ter um aspecto de barra botão ou cabo
Dispositivos de Protecção
- Protectores Fixos: os mais vulgarmente utilizados são as guardas. São estruturas metálicas aparafusadas à estrutura da máquina e devem impedir o acesso aos órgãos de transmissão. O acesso só para acções de manutenção.
- Protectores Móveis: neste caso as guardas são fixadas à estrutura por dobradiças ou calhas o que as torna amovíveis. A abertura da protecção deve levar à paragem automática do “movimento perigoso”, (pode-se recorrer a um sistema de encravamento eléctrico).
- Comando Bi-Manual: para uma determinada operação, em vez de uma só betoneira existem duas que devem ser pressionadas em simultâneo. Isto obriga a que o trabalhador mantenha as duas mãos ocupadas evitando cortes e esmagamentos (Guilhotinas , Prensas)
- Barreiras Ópticas: Dispositivo constituído por duas “colunas”,uma emissora e a outra receptora, entre elas existe uma “cortina”de raios infra-vermelhos. Quando alguém ou algum objecto atravessa esta “cortina” surge uma interrupção de sinal o que leva á paragem de movimentos mecânicos perigosos.
- Distâncias de Segurança: Define-se distância de segurança, a distância necessária que impeça que os membros superiores alcancem zonas perigosas do equipamento.
REDUÇÃO DOS RISCOS DE ACIDENTE
Como já vimos, os acidentes são evitados com a aplicação de medidas específicas de segurança, seleccionadas de forma a estabelecer maior eficácia na prevenção da segurança.
As prioridades são:
Eliminação do risco: significa torná-lo definitivamente inexistente. (exemplo: uma escada com piso escorregadio apresenta um sério risco de acidente. Esse risco poderá ser eliminado com um piso antiderrapante)
Neutralização do risco: o risco existe, mas está controlado.
Esta opção é utilizada na impossibilidade temporária ou definitiva da eliminação de um risco. (exemplo: as partes móveis de uma máquina como polias, engrenagens, correias etc. - devem ser neutralizadas com anteparos de protecção , uma vez que essas peças das máquinas não podem ser simplesmente eliminadas.
Sinalização do risco: é a medida que deve ser tomada quando não for possível eliminar ou isolar o risco. (exemplo: máquinas em manutenção devem ser sinalizadas com placas de advertência; locais onde é proibido fumar devem ser devidamente sinalizados.
PROTECÇÃO COLECTIVA E PROTECÇÃO INDIVIDUAL
As medidas de protecção colectiva, através dos Equipamentos de Protecção Colectiva (EPC), devem ter prioridade, conforme determina a legislação, uma vez que beneficiam todos os trabalhadores.
Os EPCs devem ser mantidos nas condições que os especialistas em segurança estabelecerem, devendo ser reparados sempre que apresentarem qualquer deficiência.
Alguns exemplos de aplicação de EPCs:
- Sistema de exaustão que elimina gases, vapores ou poeiras contaminantes do local de trabalho;
- Enclausuramento de máquina ruidosa para livrar o ambiente do ruído excessivo;
- Comando bimanual, que mantém as mãos ocupadas, fora dazona de perigo, durante o ciclo de uma máquina;
- Cabo de segurança para conter equipamentos suspensos sujeitos a esforços, caso venham a se desprender.
Quando não for possível adoptar medidas de segurança de ordem geral, para garantir a protecção contra os riscos de acidentes e doenças profissionais, devem-se utilizar os equipamentos de protecção individual, conhecidos pela sigla EPI.
São considerados equipamentos de protecção individual todos os dispositivos de uso pessoal destinados a proteger a integridade física e a saúde do trabalhador.
Os EPIs não evitam os acidentes, como acontece de forma eficaz com a protecção colectiva. Apenas diminuem ou evitam lesões que podem decorrer de acidentes.
Exemplo:
Existem EPIs para protecção de praticamente todas as partes do corpo. Veja alguns exemplos:
- Cabeça e crânio: capacete de segurança contra impactos, perfurações, acção dos agentes meteorológicos etc.
- Olhos: óculos contra impactos, que evita a cegueira total ou parcial e a conjuntivite. É utilizado em trabalhos onde existe o risco de impacto de estilhaços e limalhas.
- Vias respiratórias: protector respiratório, que previne problemas pulmonares e das vias respiratórias, e deve ser utilizado em ambientes com poeiras, gases, vapores ou fumos nocivos.
- Face: máscara de solda, que protege contra impactos de partículas, respingos de produtos químicos, radiação (infravermelha e ultravioleta) e ofuscamento.
- Ouvidos: Auriculares, que previne a surdez, o cansaço, a irritação e outros problemas psicológicos.
Deve ser usada sempre que o ambiente apresentar níveis de ruído superiores aos aceitáveis, de acordo com a norma regulamentadora.
- Mãos e braços: luvas, que evitam problemas de pele, choque eléctrico, queimaduras, cortes e raspões e devem ser usadas em trabalhos com solda eléctrica, produtos químicos, materiais cortantes, ásperos, pesados e quentes.
- Pernas e pés: botas de borracha, que proporcionam isolamento contra electricidade e humidade. Devem ser utilizadas em ambientes húmidos e em trabalhos que exigem contacto com produtos químicos.
- Tronco: aventais de couro, que protegem de impactos, gotas de produtos químicos, choque eléctrico, queimaduras e cortes. Devem ser usados em trabalhos de soldagem eléctrica, oxiacetilénica, corte a quente.
A lei determina que os EPIs sejam aprovados pelo Ministério do Trabalho, mediante certificados de aprovação (CA). As empresas devem fornecer os EPIs gratuitamente aos trabalhadores que deles necessitarem. A lei estabelece também que é obrigação dos empregados usar os equipamentos de protecção individual onde houver risco, assim como os demais meios destinados a sua segurança.
Sinais de Perigo
Indicam situações de risco potencial de acordo com o pictograma inserido no sinal. São utilizados em instalação, acessos, aparelhos, instruções e procedimentos, etc.
Têm forma triangular, o contorno e pictograma a preto e o fundo amarelo.
- Perigo de Intoxicação
- Perigo - Substâncias Corrosivas
- Perigo Zonas Quentes
- Perigo de electrocussão
- Perigo de incêndio
Sinais de Proibição
Indicam comportamentos proibidos de acordo com o pictograma inserido no sinal. São utilizados em instalação, acessos, aparelhos, instruções e procedimentos, etc.. Têm forma circular, o contorno vermelho, pictograma a preto e o fundo branco.
Sinais de Obrigação
Indicam comportamentos obrigatórios de acordo com o pictograma inserido no sinal. São utilizados em instalação, acessos, aparelhos, instruções e procedimentos, etc.. Têm forma circular, fundo azul e pictograma a branco.
- Proibido lavar as mãos
- Proibido beber água
- Proibido apagar com água
- Proibido foguear /fazer fogo
- Proibido fumar
- Protecção obrigatória dos olhos
- Protecção obrigatória das mãos
- Protecção obrigatória dos olhos e vias respiratórias
- Protecção obrigatória das vias respiratórias
- Obrigatório lavar as mãos
Sinais de Emergência
Fornecem informações de salvamento de acordo com o pictograma inserido no sinal. São utilizados em instalação, acessos e equipamentos, etc. Têm forma rectangular, fundo verde e pictograma a branco.
- Posto de primeiros socorros
- Saída de emergência à esquerda Direcção de Evacuação
Os principais tipos de risco ambiental que afectam os trabalhadores de um modo geral, estão separados em:
- Riscos físicos
- Riscos químicos
- Riscos Biológicos
- Riscos Ergonómicos
RISCOS FÍSICOS
Todos nós, ao desenvolvermos o nosso trabalho, gastamos uma certa quantidade de energia para produzir um determinado resultado. Em geral , quando dispomos de boas as condições físicas do ambiente, como, por exemplo, o nível de ruído e a temperatura são aceitáveis, produzimos mais com menor esforço.
Mas, quando essas condições fogem muito aos nossos limites de tolerância, atinge-se facilmente o incómodo e a irritação determinando muitas vezes o aparecimento de cansaço, a queda de produção, falta de motivação e desconcentração.
Por outras palavras, os factores físicos do ambiente de trabalho interferem directamente no desempenho de cada trabalhador e na produção obtida, pelo que se justifica a sua analise com o maior cuidado.
Ruído
Quando um de nós se encontra num ambiente de trabalho e não consegue ouvir perfeitamente a fala das pessoas no mesmo recinto, isso é uma primeira indicação de que o local é demasiado ruidoso. Os especialistas no assunto definem o ruído como todo som que causa sensação desagradável ao homem.
As perdas de audição são derivadas da frequência e intensidade do ruído. A fadiga evidencia-se por uma menor acuidade auditiva. As ondas sonoras transmitem-se tanto pelo ar como por materiais sólidos. Quanto maior for a densidade do meio condutor, menor será a velocidade de propagação do ruído.
O ruído é pois um agente físico que pode afectar de modo significativo a qualidade de vida. Mede-se o ruído utilizando um instrumento denominado medidor de pressão sonora, e a unidade usada como medida é o decibel ou abreviadamente dB.
- Para 8 horas diárias de trabalho, o limite máximo de ruído estabelecido é de 85 decibéis.
- O ruído emitido por uma britadeira é equivalente a 100 decibéis.
- O limite máximo de exposição contínua do trabalhador a esse ruído, sem protecção auditiva, é de 1 hora.
Sem medidas de controlo ou protecção, o excesso de intensidade do ruído, acaba por afectar o cérebro e o sistema nervoso.
Em condições de exposição prolongada ao ruído por parte do aparelho auditivo, os efeitos podem resultar na surdez profissional cuja cura é impossível, deixando o trabalhador com dificuldades para se relacionar com os colegas e família , assim como dificuldades acrescidas em se aperceber da movimentação de veículos ou máquinas , agravando as suas condições de risco por acidente físico.
Vibrações
As vibrações caracterizam-se pela sua amplitude e frequência. Apresentam geralmente baixas frequências e conduzem-se por materiais sólidos
(Exprimem-se em m/s 2 ou em dB. Consoante a posição do corpo humano, (de pé, sentado ou deitado), a sua resposta às vibrações será diferente sendo igualmente Importante o ponto de aplicação da força vibratória.
Os efeitos no homem das forças vibratórias podem ser resumidos nos seguintes casos :
Frequência entre 8 e 1000 Hz; O uso prolongado de martelos pneumáticos ou motosserras, conduz a complicações nos vasos sanguíneos e articulações e á diminuição na circulação sanguínea,
Estas lesões podem ser permanentes.
Frequência acima de 1000 Hz; O efeito restringe-se a nível da epiderme (danos em células e efeitos térmicos). Com o passar do tempo, afecções a nível das articulações e da coluna
Amplitudes Térmicas
Frio ou calor em excesso, ou a brusca mudança de um ambiente quente para um ambiente frio ou vice-versa, também são prejudiciais à saúde.
Nos ambientes onde há a necessidade do uso de fornos, maçaricos etc., ou pelo tipo de material utilizado e características das construções (insuficiência de janelas, portas ou outras aberturas necessárias a uma boa ventilação), toda essa combinação pode gerar alta temperatura prejudicial à saúde do trabalhador.
A sensação de calor que sentimos é proveniente da temperatura resultante existente no local e do esforço físico que fazemos para executar um trabalho.
A temperatura resultante é função dos seguintes factores:
- Humidade relativa do ar
- Velocidade e temperatura do ar
- Calor radiante (produzido por fontes de calor do ambiente, como fornos e maçaricos.
A unidade de medida da temperatura adoptada é o grau Célsius, abreviadamente ºC. De um modo geral, a temperatura ideal situa-se entre
21ºC e 26 ºC enquanto a humidade relativa do ar deve estar entre 55% a
65%, e a velocidade do ar deve ser cerca de 0,12 m/s.
Condições ambientais aconselhadas;
- a temperatura ideal situa-se entre 21ºC e 26 ºC
- a humidade relativa do ar deve estar entre 55% a 65%
- a velocidade do ar deve ser cerca de 0,12 m/s
Os ambientes térmicos podem ser classificados como:
- Quentes (Fundições, Cerâmicas, Padarias),
- Frios (armazéns frigoríficos, actividades piscatórias)
- Neutros (escritórios).
Logicamente que as situações mais preocupantes ocorrem em ambientes térmicos frios e quentes ou sobretudo quando as duas possibilidades existem na mesma empresa ou no mesmo posto de trabalho.
Stress Térmico
Em geral está relacionado com o desconforto do trabalhador em condições de trabalho em que a temperatura ambiente é muito elevada , podendo-se conjugar uma humidade baixa e uma circulação de ar deficiente .
Os sintomas de exposição a ambientes térmicos hostis podem ser descritos por :
Ambiente Térmico Quente:
- Temperatura superficial da pele aumenta (vasodilatação dos capilares, o indivíduo cora)
- Temperatura interna aumenta ligeiramente
- Sudação
- Mal-estar generalizado
- Tonturas e desmaios
- Esgotamento e morte
Ambientes Térmicos Frios:
- Frieiras, localizadas nos dedos das mãos e dos pés.
- Alteração circulatória do sangue leva a que as extremidades do corpo humano adquiram uma coloração vermelho-azulada.
- Pé-das Trincheiras, surge em situações de grande humidade, os pés ficam extremamente frios e com cor violácea.
- Enregelamento, é a congelação de tecidos devido a exposição a temperaturas muito baixas ou por contacto com superfícies muito frias.
As medidas a tomar para minimizar os efeitos do Stress Térmico podem passar por;
- Em primeiro lugar uma correcta dieta alimentar de modo a fortalecer o organismo.
- Ingerir bastante água à temperatura ambiente. Não beber álcool.
- Evitar alimentação rica em gorduras visto que estas retêm os líquidos no organismo, moderar o consumo de cafeína.
- Em situações de elevadas temperaturas, como por exemplo uma siderurgia a água a ingerir deve conter uma pequena porção de sal de modo a compensar as perdas devido á transpiração.
- Devem ser tomadas a nível de layout medidas de ventilação.
- Implementar turnos com menor carga horária em situações onde ocorre exposição a ambientes hostis.
- Contra o Calor Radiante - O uso de viseiras é essencial, pois a radiação emitida por materiais em fusão levam ao surgimento de cataratas a nível ocular.
RISCOS QUÍMICOS
Certas substâncias químicas, utilizadas nos processos de produção industrial, são lançadas no ambiente de trabalho através de processos de pulverização, fragmentação ou emanações gasosas. Essas substâncias podem apresentar-se nos estados sólido, líquido e gasoso.
No estado sólido, temos poeiras de origem animal, mineral e vegetal, como a poeira mineral de sílica encontrada nas areias para moldes de fundição.
No estado gasoso, como exemplo, temos o GLP (gás liquefeito de petróleo), usado como combustível, ou gases libertados nas queimas ou nos processos de transformação das matérias-primas.
Quanto aos agentes líquidos, eles apresentam-se sob a forma de solventes, tintas, vernizes ou esmaltes.
Esses agentes químicos ficam em suspensão no ar e podem penetrar no organismo do trabalhador por:
Via respiratória: essa é a principal porta de entrada dos agentes químicos, porque respiramos continuadamente, e tudo o que está no ar acaba por passar nos pulmões.
Via digestiva: se o trabalhador comer ou beber algo com as mãos sujas, ou que ficaram muito tempo expostas a produtos químicos, parte das substâncias químicas serão ingeridas com o alimento, atingindo o estômago e podendo provocar sérios riscos à saúde.
Epiderme: essa via de penetração é a mais difícil, mas se o trabalhador estiver desprotegido e tiver contacto com substâncias químicas, havendo deposição no corpo, serão absorvidas pela pele.
Via ocular: alguns produtos químicos que permanecem no ar causam irritação nos olhos e conjuntivite, o que mostra que a penetração dos agentes químicos pode ocorrer também pela vista.
Valores Limite de Exposição
Na legislação ambiental Portuguesa constam os Valores Limite de Exposição de diferentes substâncias (NP – 1796).
Os Valores Limite de Exposição não são mais do que concentrações no ar dos locais de trabalho de diferentes substâncias. Abaixo destes valores a exposição contínua do trabalhador não representa risco para este.
Pode ser determinada uma “concentração média” no tempo inerente a um turno de trabalho de 8 horas.
Concentração Limite é um valor que nunca deve ser ultrapassado mesmo que a “concentração média” esteja abaixo do Valor Limite.
As substâncias químicas quando absorvidas pelo organismo em quantidades suficientes, podem provocar lesões no mesmo. Assim surge a definição de DOSE: Quantidade de substância absorvida pelo organismo.
Os efeitos no organismo, vão pois depender da dose absorvida e da quantidade de tempo de exposição a essa dose.
Assim, os graus de Intoxicação com produtos Químicos podem ser classificadas em :
- Intoxicação Aguda, corresponde a uma absorção rápida num curto período de tempo (geralmente ocorrem em situações de acidente).
- Intoxicação Crónica, absorção de pequenas doses em certos períodos de tempo (ocorrem no local de trabalho, num turno ou em parte dele).
Efeitos dos Poluentes Químicos
Sensibilizantes: produtos que levam a reacções alérgicas.
Manifestam-se por afecções da pele ou respiratórias. (Isocianatos usados por exemplo no fabrico de espumas.)
Irritantes: produtos que levam a inflamações no tecido onde actuam.
Também nesta situação os produtos inaláveis são os que levantam mais preocupação. (ácido clorídrico, óxidos de azoto).
Anestésicos ou narcóticos: produtos que actuam sobre o sistema nervoso central, tais como os solventes usados na indústria das colas ou tintas, (toluol, acetato butilo, hexano, etc.)
Asfixiantes: produtos que dificultam o transporte de oxigénio a nível sanguíneo. (Monóxido de Carbono)
Cancerígenos: substâncias que podem provocar o cancro
Corrosivas: substâncias que actuam quimicamente sobre os tecidos quando em contacto com estes.
Pneumoconióticas : apresentam-se sob a forma de poeiras ou fumo.
São exemplo destas substâncias a sílica livre cristalina comum em minas (provoca a silicose a nível pulmonar).
Poluentes sólidos
Poeiras - Partículas esferoidais de pequeno tamanho que se encontram em suspensão no ar. As mais perigosas são as de quartzo, (originam a silicose),
Fibras - Partículas não esféricas, geralmente o seu comprimento excede em 3 vezes o seu diâmetro.
Fumos - partículas esféricas em suspensão, geralmente têm origem em combustões.
Aerossol - suspensão em meio gasoso de partículas esféricas e líquidas, em conjunto ou não. A sua velocidade de queda é desprezável (< color="#990000">Riscos biológicos
Estes tipo de riscos relaciona-se com a presença no ambiente de trabalho de microrganismos como bactérias, vírus, fungos, bacilos, etc.
Normalmente presentes em alguns ambientes de trabalho, como:
- Hospitais,
- Laboratórios de análises clínicas,
- Recolha de lixo,
- Indústria do couro,
- Tratamento de Efluentes líquidos.
Penetrando no organismo do homem por via digestiva, respiratória, olhos e pele, são responsáveis por algumas doenças profissionais, podendo dar origem a doenças menos graves como infecções intestinais ou a simples gripe, ou mais graves como a hepatite, meningite ou Sida.
Como estes microrganismos se adaptam melhor e se reproduzem mais em ambientes sujos, as medidas preventivas a tomar terão de ser relacionadas com:
- A rigorosa higiene de Locais de trabalho,
- A rigorosa higiene de Corpo e das roupas;
- Destruição por processos de elevação da temperatura (esterilização) ou uso de cloro;
- Uso de equipamentos individuais para evitar contacto directo com os microrganismos;
- Ventilação permanente e adequada;
- Controle médico constante,
- Vacinação sempre que possível
A verificação da presença de agentes biológicos em ambientes de trabalho é feita por meio de recolha de amostras de ar e de água, que serão analisadas em laboratórios especializados.
OS RISCOS ERGONÓMICOS
Verifica-se que algumas vezes que os postos de trabalho não estão bem adaptados ás características do operador, quer quanto à posição da máquina com que trabalha, quer no espaço disponível ou na posição das ferramentas e materiais que utiliza nas suas funções.
Para estudar as implicações destes problemas existe uma ciência que avalia as condições de trabalho do operador, quanto ao esforço que o mesmo realiza para executar as suas tarefas.
Ergonomia é a ciência que procura alcançar o ajustamento mútuo ideal entre o homem e o seu ambiente de trabalho.
Ergonomia é a ciência que procura alcançar o ajustamento mútuo ideal entre o homem e o seu ambiente de trabalho
Segundo um conceito Ergonómico A execução de tarefas deve ser feita com o mínimo de consumo energético de modo a sobrar "atenção" para o controlo das tarefas e dos produtos, assim como para a protecção do próprio trabalhador.
Os agentes ergonómicos presentes nos ambientes de trabalho estão relacionados com:
- Exigência de esforço físico intenso,
- Levantamento e transporte manual de pesos,
- Postura inadequada no exercício das actividades,
- Exigências rigorosas de produtividade,
- Períodos de trabalho prolongadas ou em turnos,
- Actividades monótonas ou repetitivas
Movimentos repetitivos dos dedos, das mãos, dos pés, da cabeça e do tronco produzem monotonia muscular e levam ao desenvolvimento de doenças inflamatórias, curáveis em estágios iniciais, mas complicadas quando não tratadas a tempo, chamadas genericamente de lesões por esforços repetitivos.
As doenças que se enquadram nesse grupo caracterizam-se por causar fadiga muscular, que gera fortes dores e dificuldade de movimentar os músculos atingidos.
Há registos de que essas doenças já atacavam os escribas e notários, há séculos. Hoje afectam diversas categorias de profissionais como funcionários bancários, metalúrgicos, costureiras, pianistas, telefonistas, operadores informáticos, empacotadores, enfim, todos os profissionais que realizam movimentos automáticos e repetitivos.
Contra os males provocados pelos agentes ergonómicos, a melhor arma, como sempre, é a prevenção, o que pode ser conseguido a partir de:
- Rotação do Pessoal;
- Intervalos mais frequentes;
- Exercícios compensatórios frequentes para trabalhos repetitivos;
- Exames médicos periódicos;
- Evitar esforços superiores a 25 kg para homens e 12 kg para mulheres;
- Postura correcta sentado, em pé, ou carregando e levantando pesos;
Outros factores de risco ergonómico podem ser encontrados em circunstâncias aparentemente impensáveis, como:
- Falhas de projecto de máquinas,
- Equipamentos, ferramentas, veículos e prédios;
- Deficiências de layout ;
- Iluminação excessiva ou deficiente;
- Uso inadequado de cores;
A ergonomia é assim uma forma de adaptar o meio envolvente ás dimensões e capacidades humanas onde máquinas, dispositivos, utensílios e o ambiente físico sejam utilizados com o máximo de conforto, segurança e eficácia.
A análise e intervenção ergonómica traduz-se em:
- Melhores condições de trabalho
- Menores riscos de incidente e acidente
- Menores custos humanos
- Formação com o objectivo de prevenir
- Maior produtividade
- Optimizar o sistema homem / máquina
Algumas medidas da Ergonomia
- Corpo em Movimento – Tornar os movimentos compatíveis com a acção. Reduzir o esforço de músculos e Tendões.
- Precisão de movimentos – Ter em atenção a sua amplitude, posição e quais os membros a utilizar.
- Rapidez dos movimentos – Salientar sinais visuais ou auditivos.
- Esforço estático – Uma cadeira deve fornecer vários pontos de apoio no corpo humano. Altura do assento regulável. A cadeira deve ter 5 apoios no chão. Deve ter apoio para os pés sempre que necessário, etc.
- Rampas e Escadas – Para rampas a inclinação deve ser entre 0 e 20 º. Para escadas a inclinação deve ser entre 20 e 50º. Altura mínima do degrau entre 13 e 20 cm. Largura mínima do degrau é de 51 cm. Etc.
- Portas e Tectos – Altura mínima de uma porta é de 200 cm.
Altura mínima de um tecto é de 200 cm. Corredor com passagem para 3 pessoas deve ter largura mínima de 152 cm.
Locais de pesquisa:
http://www.esev.ipv.pt/tear/recursos/36/S%EDntese%20sobre%20Higiene%20e%20seguran%E7a%20no%20trabalho.pdf
http://www.funiber.org.br/areas-de-conhecimento/engenharia-projetos-prevencao-e-qualidade/mestrado-em-prevencao-e-riscos-trabalhistas-no-sistema/programa-academico/programa-de-estudos
http://www.catalogo.anq.gov.pt/AreasEducacaoFormacao/Seguranca/Referenciais%20de%20Formao/862208_T%C3%A9cnico%20de%20Seguran%C3%A7a%20e%20Higiene%20do%20Trabalho.pdf
http://www.oportaldaconstrucao.com/guiastec/guia_tecnico_sht_volume_1.pdf
http://www.ospelicanos.org/files/COL_MRM-Gestao_SST_Sector_Financeiro.pdf
http://pme.aeportugal.pt/Aplicacoes/Documentos/Uploads/2004-10-15_16-29-37_AEP-HIGIENE-SEGURANCA.pdf
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